2015-06-22

O assento sem acento

Confesso.
Detesto ter que dar o lugar a alguém num transporte público.

Sei que é boa educação quando vem uma mãe com um filho, ou uma grávida ou um velhote que mal se pode manter em pé, as pessoas levantarem-se e darem o lugar. Mas eu detesto, pronto. E detesto com todas as minhas forças. Internamente fico a odiar a pessoa que se sentou no MEU lugar. looool

Sim, é muito mau e se fosse eu que estivesse naquela situação, também gostava que as pessoas se levantassem por mim.

Talvez me sinta assim porque eu raramente me sento num metro ou num autocarro, se forem com bastante gente, porque sei que há sempre alguém que precisa do lugar mais do que eu. Mas quando me sento, é porque PRECISO de me sentar por alguma razão. Houve uma vez que MENTI descaradamente num autocarro quando me pediram para dar o lugar a alguém (claro que eu não me tinha levantado por mim, não é? :P). Respondi que estava com um problema na perna. Não estava. Estava apenas cansado e precisava de estar sentado. Não foi muito bonito, não. Mas, hey, survival instincts.

10 comentários:

J-o-a-n-a disse...

Eu só me passo (e muito!) quando não agradecessem!
é o mínimo!!!

Pusinko disse...

Há sempre quem precisa mais do que nós, é como penso e fui educada. Para mim quase automático, desde que me aperceba de alguém mais frágil (criancas muito pequenas sem carrinho em hora de ponta, muito grávidas, idosos, fracturados/engessados...). Tenho ganas de agarrar plo colarinho quem faz de conta que nao ve alguém em clara necessidade - e ó se isto acontece por cá tantas vezes - que nervos! Principalmente quando já cedi o meu lugar e mais alguém precisa. Nao foram 2 nem 3 vezes em que instiguei gente (nova em particular) a levantar o rabo do banco. Principalmente os que enfiam a cabeca no livro depois de claramente terem visto a pessoa à frente deles e sem vergonha ignorarem.
No entanto, tal como a Joana referiu, passo-me na mesma medida quando o/a beneficiado/a nao agradece. O humor é o mesmo, as razoes é que serao diferentes, mas ambos tem resposta.

Quanto a ti, uma vez nao sao vezes... e se pouco te sentas no metro/autocarro, já é servico público :)

Linda Porca disse...

1. Evita a todo o custo sentares-te nos lugares destinados a grávidas, deficientes (onde se incluem os velhinhos) e pessoas com crianças ao colo. Só esses lhes estão reservados.
2. Agarra imediatamente numa porra qualquer (telemóvel, ai-fóni, ai-podji, ai-caneco) e mergulha lá dentro. Também podes agarrar no jornal metro e desatar a fazer palavras cruzadas, ou sudoku.
3. Quando, mesmo assim, tiveres uma das pessoas referidas em 1. quase colada a ti, a dar-te a entender que quer o teu lugar, olha fixamente para outra pessoa que possa fazer o mesmo, e faz tsss-tsss, abanando a cabeça em sinal de desaprovação.
4. Em caso de desespero, pega no telemóvel e simula uma chamada, em que te queixas, extremamente alto, de dores ao nível das virilhas, drivados de um furúnculo cheio de pus, que te adveio de um pêlo encravado.
(Entretanto, a tua viagem acaba)
:P

Jedi Master Atomic disse...

Joana -> Isso então é mesmo mau.

Pusinko -> Instigaste gente nova? Como se tu fosses velha :P

Linda Porca -> Isso dá muito trabalho. É mais facil não me sentar :P

Linda Porca disse...

A tua juventude joga contra ti.
Fizesses, como eu fiz, durante uns anos, uma viagem de metro com 13 estações, e logo me dirias se não usavas os truques todos para ires sentado :P
Cheguei a andar para trás (ir dos Restauradores à Baixa-Chiado), só para poder ir sentada, no metro. Ao fim de um dia de trabalho, ir em pé, a levar com o bafo de bode dos homens da Baixa, custa muito.
:P

Dexter disse...

Faz como eu e vai lá para o fundo, para o lugar da ponta. Ninguém te chateia.

Jedi Master Atomic disse...

Linda Porca -> loooool

Dexter -> Sim, mas esses são sempre os primeiros a ser ocupados, infelizmente.

Pusinko disse...

Não sou adolescente... mas o que tive a dizer em 2 situações muito flagrantes foi para2 adolescentes e para uma maior de 40. Se bem que, a essa era mais uma vara pelas costas abaixo. Enfim... sou um bocado antiga. Tenho de andar de metro todos os dias, à vezes depois de 15h de trabalho e então a paciência reduz-se ao mínimo para essas situações. E para gente que leva uma disco nos ouvidos e acha que toda a carruagem partilha o mesmo (mau) gosto musical. Ou crianças mal comportadas e pais que acham isso normal. Sim, irrito-me facilmente mas, no lado bom, só reajo em casos dramáticos.

:)

agatxigibaba disse...

Bem, que ma pessoa! Eu sou sempre a benfeitora que deixa toda a gente passar à frente (excepto se for um chico esperto, aí entro em competição feroz), cedo o lugar, etc. Também acontece estar cansada (muitas vezes) mas se opto por me sentar escolho os lugares mais afastados (onde os velhinhos / necessitados normalmente nunca chegam, porque há alguém antes que se levanta :p).

Fã da TV e Cine disse...

Tu e uma série de outras pessoas, em particular jovens rapazes.
Coitados, devem ficar cansados muito depressa e perder a stamina rápido. Mal entram já se querem sentar, tendo menos fôlego que uma mulher nos seus 40 que viaja de pé há 20 minutos.

Vejo muita coisa nos transportes. E embora não seja radical, acho que esse gesto de cordialidade nunca devia desaparecer e as pessoas deviam esforçar-se para o manter. Quando faltar é sinal que a calamidade já chegou a este país. Já nada dos diferencia dos americanos ou brasileiros nesse aspeto.

O que não gosto quando viajo num autocarro, é vê-lo com lugares disponíveis e uma pessoa que acabou de entrar parece querer escolher um lugar e fica de pé ao lado deste, até este vagar. E também não gosto dos "pula cadeiras" - aqueles que mal vêm uma pessoa num lugar melhor se levantar, correm e sentam-se. Deixando vago para a pessoa que viajava de pé o seu assento menos "privilegiado". Se já viajam sentados, para quê se armarem em chico-espertos? Já sei, gostam de sentir o calor do cu de outra pessoa...

O cavalheirismo e a atenção faz muita falta a muita juventude que anda de transportes. Tenho-o observado. Dois exemplos:

Viajava de pé há várias paragens. Entrou um rapaz jovem, com uma mochila meio vazia. Eu transportava uma mala e uma pasta. Um banco à minha frente vaza e quando avanço para a frente para me sentar nele, o rapaz antecipa-se e rapidamente ocupa o lugar. Foi simpático, não foi? Devia estar muito cansado, esse tipo de cansaço "da perna". Foi até mais simpático por na PARAGEM SEGUINTE, o jovem rapaz levanta-se e sai.

Ora bolas! Por uma paragem apenas, não podia continuar a viajar de pé e ceder a cadeira a quem já ali estava há bem mais tempo? Porque se nota e mesmo que não se notasse, existem as tais regras de cortesia e boa educação - que cada vez são mais ignoradas.

E as pessoas que mal entram querem logo se sentar, usando o corpo para bloquear a passagem dos que vêm atrás com uma passada mais rápida. Querem logo os bancos da frente e ficam a ver, antes de avançar, qual o melhor lugar. Uma vez uma rapariga com os seus 20 anos entrou no autocarro, que tinha muitos lugares vagos mais ao fundo e ficou de pé, ali na frente, onde por acaso eu já estava porque quando entrei, o autocarro estava tão cheio que não cabia muitas mais pessoas. Porém quando a jovem entrou, já tinha vazado muito. Fiquei no mesmo local, como tanta vez fico. Mas me incomodou que ela se posicionou de forma a bloquear totalmente a passagem a quem viesse atrás. Cagou. Não quis saber. O autocarro com lugares vagos, eu ali de pé porque foi o local que encontrei para estar quando entrei com ele cheio, e ela fica à minha frente, a bloquear a passagem.

Depois percebi. Ao entrar, deve ter lido a linguagem corporal da mulher que estava sentada num banco logo à entrada. Deve ter percebido que esta ia levantar-se mas deve ter-se enganado na paragem. E ficou à espera. Mal a mulher se mexeu, ela saltou para aquele banco. Preguiçosa! Ficou de tocaia e nem se importou de ser um estorvo. Fez a viagem toda sentadinha ali e eu de pé, ao lado. Saiu algumas paragens depois e de tão preguiçosa que é, fê-lo pela porta da frente, porque andar todo o caminho até a de traz certamente ia cansá-la muito. E ao sair, voltou a ser um estorvo, uma vez que as pessoas que iam a entrar tiveram de se desviar e uma até voltar a sair, para lhe ceder a passagem.

É o cúmulo. Por estas e outras, da próxima vez, tente ceder o lugar a quem realmente precisa de um. Ver velhotes com dificuldades em se equilibrar em pé, não é uma coisa bonita de ver. A menos que eles queiram, o que não deve ser o caso, deve-se ceder um lugar. Já vi velhotes a ceder o lugar a mulheres, mesmo eles mesmo precisando. Isso se chama cavalheirismo, mas no fundo, é somente ter dignidade.
Fazem falta mais assim.